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20170309

Melo Maluco, o taxista e o STOL de badalo

Francisco de Assis Corrêa de Melo  foi ministro da Aeronáutica  nos governos de Juscelino Kubitschek, de 30 de julho de 1957 a 31 de janeiro de 1961, e de Raniere Mazzilli de 4 a 15 de abril de 1964.

Tornou-se oficial-aviador em 1927. Por sua grande perícia, coragem e audácia na arte de voar, recebeu o apelido de "Melo Maluco".

Neste vídeo, o humorista José Vasconcelos nos conta um fato deveras engraçado acontecido com o Ministro Melo e o Coronel Braga, um dos maiores pilotos de acrobacia do Brasil, fato por ele dito verídico.


Para quem quiser saber mais sobre a história do ministro Melo, veja o link: wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Assis_Correia_de_Melo

E do Cel.Braga, piloto da esquadrilha da fumaça ... 
wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Arthur_Braga

Veja também o T-6 citado no vídeo:
https://pt.wikipedia.org/wiki/North-American_T-6

Post (291) - Março de 2017

20160408

Quem dobrou seu paraquedas hoje?

Esta postagem não é sobre aviões, nas sobre um acontecimento relevante acontecido com um piloto formado pela Academia Naval dos Estados Unidos em 1964.

O hoje Capitão, Charles Plumb era piloto de um bombardeiro durante guerra do Vietnã (1955/1975). Voou em 74 missões de combate bem sucedidas, mas na missão 75 seu avião foi atingido por um míssil e foi derrubado.
 
Capitão Charles Plumb
Plumb conseguiu ejetar-se caindo de pára-quedas, tendo sido capturado, passou seis anos numa prisão norte - vietnamita.

Ao retornar aos Estados Unidos, após os seis meses de licença que tinha direito, retirou-se da ativa, passando para a reserva. Dedicou-se então a dar palestras relatando a sua odisseia e o que aprendera na prisão.

Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem:
– Olá, você é Charles Plumb, era piloto no Vietnã e foi derrubado, não é mesmo?
Sim, como sabes? - perguntou Plumb. 
Era eu quem dobrava o seu pára-quedas. Parece que funcionou bem, não é verdade?”
– Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje conversando contigo. Muito obrigado pela sua ajuda! -  logo respondeu Plumb, surpreso e com muita gratidão.

Nesta mesma noite, pensando sobre o assunto, Plumb não conseguia dormir lembrando-se de quantas vezes havia cruzado com aquele homem no porta-aviões e nunca lhe disse nem um “bom dia”. Era um piloto arrogante e aquele sujeito, um simples marinheiro.
Pensou também nas horas que o marinheiro passou humildemente no porão do porta-aviões enrolando os fios de seda de vários paraquedas, tendo em suas mãos a vida de alguém que nem conhecia.

Hoje em dia, Plumb inicia as suas palestras perguntando à sua platéia: “Quem dobrou seu pára-quedas hoje?”, e ele mesmo responde: 

“ - Jamais deixe de agradecer a alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante. Precisamos de muitos pára-quedas durante o dia: físico, emocional, mental, espiritual...”

Leia mais em:

Reflexões do Capitão Plumb sobre o Serviço da Marinha dos Estados Unidos.

Post (200) - Abril de 2016

20160323

A saga de Ada Rogato, a aviadora pioneira.

"A década de 30 foi marcada por vários fatos: os Estados Unidos se recuperando após a quebra da bolsa em 1929, a chegada do Estado Novo no Brasil com Getulio Vargas e Hitler assumia como Chanceler da Alemanha. O cinema difundia novos costumes, a musa alemã Marlene Dietrich imperava nas telinhas, o modelo de beleza de Greta Garbo desfilava um visual de sobrancelhas e pálpebras marcadas com lápis e pó de arroz, sendo imitada por muitas mulheres da época.  No Brasil, a aviação engatinhava e uma jovem mulher pilotava aviões e saltava de paraquedas."


Ada Leda Rogato é uma personalidade pouco conhecida fora do seu meio – o mundo da aviação - mas foi uma destemida e pioneira num país onde os grandes feitos tanto quanto os malfeitos são logo esquecidos e pouco se faz para preservar a memória daqueles que temos motivos para nos orgulhar.

Nasceu em São Paulo em 22 de Dezembro de 1910, filha única dos imigrantes italianos Guilherme Rogato e Maria Rosa Grecco Rogato.

Quando se fala de mulheres que seguiram profissões ou atividades que até então só homens exerciam, Ada Rogato rompeu paradigmas para sua época. Ela foi a primeira mulher no Brasil a obter licença como paraquedista, a primeira a mulher a pilotar um planador, a terceira a obter brevê (1935) e a primeira piloto agrícola do país.

Também se destacou pelas acrobacias aéreas voando em aeronaves de pequeno porte. E graças às suas proezas, sua fama nacional e internacional cresceu a partir dos anos 1950.

Seus feitos:

Ada ousava sempre. Sua principal característica era voar sozinha, ainda que a aeronave possuísse recursos limitados. Naquela época, a infra-estrutura da aviação era modesta, o que não a impediu de realizar inúmeros reides.

Em 1950, pilotando um Paulistinha CAP-4, o PP-DBL, cobriu 11.691 km em 16 horas de Voo, ocasião em que transpôs, pela primeira vez a Cordilheira dos Andes. Foi, então, a brasileira que teve a primazia de efetuar essa proeza.

Em abril de 1951, sozinha, em sua epopéia aérea, percorreu no PT-ADV de 90 HP, 51.064 km em 326 h de voo, visitando 28 países. Decolou da Terra do Fogo, rumo ao Alasca, no mais longo reide efetuado por um aviador solitário (Circuito das Três Américas).

Em 1952 participou de uma revoada com 280 aviões brasileiros, para a Argentina, percorrendo 4.782 km em 29:09 h. Ainda,neste mesmo ano, em seu pequeno Cessna 140-A, partiu do Campo de Marte (SP) para a Bolívia, pousando no mais alto aeroporto do mundo, El Salto, situado a 4.071 m de altitude. Superou no voo, com sua habilidade, a rarefação do ar, a qual provocava queda na potência do motor.


No ano de 1956, novamente ousou ao percorrer 25.057 km, em 163 h de voo, visitando inúmeras capitais e sobrevoando parte da selva amazônica. 


Em 9 de junho de 1960, com um Cessnade de 90HP, concluiu seu mais arrojado feito, percorrendo aproximadamente 12.700 km. Sobrevoou em três meses: São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre, Pelotas, Montevidéu, Buenos Aires, Baía Blanca, Patagones, Deseado, Trelew, Comodoro, Rivadaria, Rio Grande e Eshuaia.

Em seu retorno passou por Rio Grande, Rio Gallegos, Comodoro, Rivadaria, Trelew, São Carlos de Bariloche, Puerto Montt, Concepción, Santiago, Mendoza, Cordoba, Buenos Aires, Resistência, Assúnción, Foz do Iguaçú, São Vicente, São Paulo e aterrissou no mesmo local da partida, Piracicaba / SP.

Uma trajetória sensacional que só terminaria em 15 de novembro de 1986 quando aos 76 anos quando veio a falecer.
  
Fonte http://lounge.obviousmag.org/por_tras_do_espelho/2012/06/ada-rogato---uma-mulher-a-frente-do-seu-tempo.html#ixzz43GSA7ZC3

Post (195) - Marçoe de 2016

20151217

A guerra de Santos Dumont

Até hoje, esta registrado na história, e a maioria dos brasileiros afirma que Alberto Santos Dumont sempre se colocou contra a aplicação militar de seus inventos, incluindo dirigíveis e aviões. 

Todavia, ainda que o  brasileiro tenha sido acometido por um grave sentimento de culpa após a Primeira Guerra Mundial (que vitimou mais de 25.000 pilotos britânicos, franceses e alemães, além de um sem número de pessoas no solo),
há registros de que ele chegou a oferecer os dirigíveis como arma de guerra à França.

Em 1903, o inventor escreveu uma carta ao Ministério da Guerra colocando à disposição do governo francês sua flotilha aérea “em caso de hostilidade com um país qualquer que não fosse das duas Américas”. Em 14 de julho do mesmo ano, por ocasião das comemorações da “Tomada da Bastilha”, Santos Dumont evoluiu com o Nº 9 , voando a uma altitude média de 300 pés, para posteriormente se juntar aos soldados em terra para o desfile militar. Era a primeira vez que uma máquina voadora passava a ser considerada como plataforma de guerra. 

Até então, nas guerras anteriores, os balões serviram basicamente como ferramentas de reconhecimento. Por serem livres, não havia condições de utilizar balões como armas, exceto em alguns raros casos em que lançaram granadas de mão contra tropas inimigas. Porém, o dirigível abriu as portas para o uso militar dos veículos aéreos.

Apenas 10 anos depois, aviões e balões passaram a ser utilizados como a principal arma numa guerra. Ironicamente, tal fato se tornou um complicador na saúde já debilitada de Santos Dumont, que anos mais tarde não suportou ver os aviões do governo federal atacando as tropas paulistas na Revolução de 1932, cometendo o suicídio em 23 de julho daquele ano.


Post (174) - Dezembro de 2015