20170125

Quantas horas um Cessna 172 seria capaz de voar sem pousar?


"Um dia desses me deparei com uma publicação na net que dava conta de um recorde de tempo em voo, só que desta vez com re-abastecimento em pleno voo, em 1958.
Pensei: esta geração americana que viveu entre os anos 50 e 60 possuíam alguns parafusos soltos na cabeça, tanto é que conseguiram chegar à lua, ir até a lua com aquela tecnologia, não era coisa de gente normal."

Em 1959 um pequeno avião bateu um recorde que permanece até hoje: dois americanos, Jim Heth e Bill Burkhart, pegaram um Cessna 172, instalaram tanques extras, uma gambiarra para trocar óleo do motor com ele em funcionamento e decolaram.

Tempo de voo: 64 dias, 22 horas, 19 minutos e 5 segundos.

Para abastecer o avião no ar os pilotos usaram um caminhão que acompanhavam o avião enquanto bombeavam gasolina. Uma modalidade única e perigosa de reabastecimento aéreo.

Só não é viável com aviões rápidos demais, no meio do oceano, etc. E isso complica a vida da aviação.
Desde os primórdios da aviação a autonomia é um problema, e na década de 1920 já ensaiavam essa manobra, que continua sendo uma das coisas mais perigosas e enervantes que um piloto precisa fazer. Tom Clancy (1) dizia que reabastecimento em vôo é a coisa mais antinatural envolvendo aeronaves.

O lendário Cessna 172 N9217B está hoje em exposição no saguão do aeroporto de McCarran de Las Vegas.



(1)  Thomas Leo "Tom" Clancy, Jr. (12/04/1947 – 1 /10/2013) foi um escritor  e historiador americano conhecido pelos seus enredos detalhados de espionagem e de ciência militar que ocorrem durante e depois da Gerra Fria. 

Post (272) - Janeiro de 2017

20170123

Rockwell XFV-12A

Em 1971, o comando aeronáutico da marinha dos EUA anunciou uma competição para o desenvolvimento de um avião supersônico de pouso, curta e ou decolagem vertical, que poderia ser baseado em navios com um deslocamento de até 15.000 toneladas. Estes pequenos navios estavam em serviço na Marinha dos EUA desde 1978, e assim equipados seriam destinados a fornecer cobertura aérea da frota.

McDonnell F-4 Phantom II
A competição teve a participação de seis empresas que apresentaram novos projetos ou melhorias em aeronaves existentes, entre elas o Harrier e o VAK-191b. Mesmo sem nenhuma das empresas terem sido contratadas para realizar os trabalhos, a empresa norte-americana Rockwell trabalhou no seu projeto e o submeteu ao comando da aviação naval. 

Hawker Siddeley Harrier
O projeto XFV-12 tentou combinar a velocidade Mach 2 do  AIM-7 Sparrow e o armamento do McDonnell F-4 Phantom II em um lutador VTOL (decolagem e pouso vertical). No papel, parecia superior ao subsônico Hawker Siddeley Harrier lutador de ataque.

No final de 1972, o projeto foi aceito e recebeu a designação militar XFV-12A. 


Em Janeiro de 1973, a empresa assinou um contrato para a concepção, construção e vôo de dois protótipos. Um mês depois, foi relatado que um contrato semelhante teria sido emitido para empresa General Dynamics. Uma dessas aeronaves após os testes de vôo comparativos seria escolhida para iniciar a produção, mas a o programa da General Dynamics terminou sendo cancelado.

Um prazo de 18 meses foi definido para os trabalhos de construção do primeiro protótipo. Os testes de vôo começaram em outubro de 1974 com uma decolagem normal, e para janeiro de 1975 estava prevista a decolagem vertical, o que terminou sendo adiado para 1976, porem a aeronaves só foi concluída em agosto de 1977 quando então começaram seus testes de solo. 

XFV-12A possuía uma configuração Canard (pato) com asas varrida e estabilizadores horizontais trapezoidais, localizadas na proa da parte inferior da fuselagem.  O aspecto mais característico da aeronave era o fato de ser o primeiro avião supersônico construído na configuração Canard é a utilização de dispositivos de ejetores para decolagem e aterragem verticais. Quatro unidades ejetoras operaram de forma independente. Eles possibilitariam criar uma força de reação de várias intensidades, usadas ​​para controlar a aeronave em modos de pairar e vôo a baixas velocidades.  
Para estudar as características da asa equipada com ejetores e sua eficiência, a empresa construiu para uma bancada centrífuga de ensaios, especial para os testes do sistema motor. 


No desenvolvimento do protótipo foram usadas partes das estruturas de aviões de ataque supersônico A-4 e do caça-bombardeiro F-4. Do A-4 firam utilizadas a fuselagem, o cockpit e o trem de aterrissagem, e do F-4 as entradas de ar, modificadas, uma porção do canal de ar, parte fixa da asa e o controle da aeronave.  A condução da aeronave seria controlada pela variação da magnitude e direção do impulso produzido pelos quatro ejetores. 
Motor escolhido foi o  Pratt & Whitney F401-PW-400que  desenvolve um impulso 62,56 kN durante uma descolagem normal e 96,99 kN durante a decolagem vertical.

O primeiro vôo da aeronave foi transferido para 1978 e, em seguida, 1979, no entanto o avião não decolou, e de todo o programa XFV-12A foi encerrado em 1981 por ter se relevado incapaz de produzir empuxo suficiente para o vôo vertical.

E finalmente após o cancelado do contrato a USMCO  adotou o Harrier britânico, o único verdadeiramente bem sucedido VSTOL, projetado na década de 1960. 

Após o cancelamento do programa, a aeronave foi desmontada e armazenada na Estação Brook Plum da NASA  em Sandusky, Ohio. Em maio de 2012, um grupo de estudantes do ensino médio no EHOVE Career Center  com a orientação de pessoal contratado da NASA, iniciou a sua restauração para uso em um museu.
  
Características gerais:
Tripulação: 1
Comprimento:  13,4 m
Peso carregado:  8.850 kg
Empuxo com pós-combustor: 30.000 lbf
Velocidade máxima: Mach 2,2-2,4


Post (271) - Janeiro de 2017