20190310

Short SC.1 - O primeiro VTOL Europeu



O Short SC.1 foi o primeiro avião a jato de asa fixa britânico de decolagem e pouso vertical (VTOL), o primeiro a fazer a transição entre os modos de voo vertical e horizontal e a primeira aeronave deste tipo com um sistema de controle de voo assistido por uma interface eletrônica. Ele era alimentado por um arranjo de cinco turbojatos, quatro eram usados ​​para vôo vertical e um para vôo horizontal convencional.

Na década de 1940, a Guerra Fria proporcionou um forte desenvolvimento da aeronáutica militar. Quando os ocidentais perceberam que os soviéticos tinham uma frota de bombardeiros de longo alcance, suficientes para destruir os campos de pouso da aviação militar aliada e obter o controle do ar, resolveram investir em uma alternativa que não precisasse de pistas de decolagem e pouso. Foi neste contexto que se desenvolveu o SC.1 do fabricante britânico Short, um aparelho destinado a desenvolver a técnica da decolagem e pouso vertical (VTOL).

Durante a década de 1950, a Grã-Bretanha testou em voo o Rolls-Royce Thrust Measuring Rig, uma aeronave VTOL concebida especificamente para a realização de pesquisas que voou com sucesso viabilizando o conceito. Esta Plataforma de Medição de Impulso forneceu informações valiosas para se projetar aeronaves VTOL, como a de um sistema de estabilização automática, apesar de que ela sofresse de deficiências que prejudicaram seu valor para pesquisas mais detalhadas. 

Logo se concluiu da necessidade de uma aeronave maior que explorasse as experiências já obtidas e explorasse áreas além de sua capacidade. 
 Para atender estes requisitos o SC.1 foi concebido e produzido por Short Brohers atendendo as exigências do Ministério do Abastecimento conforme a solicitação de licitação (ERS43) emitida em setembro de 1953. 

Em 15 de outubro de 1954, o projeto foi aceito pelo Ministério e um contrato foi imediatamente colocado para duas aeronaves de testes sem armamento. As aeronaves deveriam ser usadas para uma série de testes de vôo principalmente para investigar o seu comportamento durante a transição entre os modos de vôo vertical e horizontal, determinar o nível de assistência necessário do estabilizador automático durante este processo e desenvolver equipamentos de apoio relacionados ao sistema de aproximação e pouso em qualquer clima.

Dois protótipos foram construídos na fábrica de Belfast, na Irlanda do Norte e usados ​​para testes de vôo entre 1957 e 1971. Os dados de pesquisa deste programa contribuíram para o desenvolvimento da primeira aeronave VTOL operacional, o HawkerSiddeley Harrier.
O Short SC.1 era um avião de asa delta de um único assento com aproximadamente 3.629 kg de peso total e 3.493 kg máximos para decolagens vertical. Ele foi equipado com quatro motores de levantamento montados verticalmente em pares lado a lado em um compartimento central perto do centro de gravidade da aeronave, juntamente com um único motor de cruzeiro na parte traseira da aeronave para fornecer propulsão para frente. Os motores verticais poderiam ser inclinados para frente e para trás para produzir empuxo vetorizado para aceleração ou desaceleração ao longo do eixo longitudinal da aeronave. 

Durante o vôo convencional, os motores de levantamento seriam desligados antes de iniciar a transição do vôo horizontal para o vertical.
O layout do cockpit para um ocupante era convencional, mas complexo pelo grande número de sistemas que o piloto tinha que monitorar. Por seu papel como aeronave de pesquisa, tinha um equipamento de gravação abrangente.
A alavanca de aceleração comum para os quatro motores de elevação vertical era o único controle primário adicional na cabine do piloto, operado de maneira semelhante ao de um helicóptero. 



Duas maneiras de controlar a atitude da aeronave eram necessárias, dependendo de sua velocidade de avanço, superfícies aerodinâmicas eram usadas durante o vôo convencional, e bicos de jato de ar para a transição de vôo horizontal, pairando e voo vertical. O ar de purga dos quatro motores de elevação era fornecido para bocais variáveis ​​no nariz, cauda e ponta da asa, para controle de inclinação, rotação e guinada em baixas velocidades.

O SC.1 também foi equipado com o primeiro sistema de controle com uma interface eletrônica a ser instalado em uma aeronave VTOL. Esse sistema de controle compreendia o estabilizador automático e também monitorava os sinais de feedback dos servos para fornecer estabilidade.  

Em comum com outras aeronaves VTOL, o SC.1 sofria de perda de empuxo vertical devido ao efeito solo (1). O trem de aterrissagem, triciclo poderia ser ajustado entre duas posições alternativas, convencional ou vertical, alem de ser equipado com freios a disco. 

Em 2 de abril de 1957, o protótipo realizou o seu primeiro voo convencional. 
Em 26 de maio de 1958, pouco mais de um ano depois, o segundo protótipo fez o primeiro voo vertical amarrado em uma plataforma.
Em 25 de outubro daquele mesmo ano, realizou o primeiro vôo vertical 'livre'.
Em 6 de abril de 1960, a primeira transição em voo entre voo vertical e horizontal foi conduzida com sucesso. Embora tenha sucesso na transição entre os dois modos, o SC.1 tinha a reputação de ser um pouco desajeitado como uma aeronave.
Em 1958 e 1960 o SC.1 foi exibido publicamente no Airshow Farnborough, também apareceu no Paris Air Show em 1961, onde realizou um vôo de demonstração.
Em 2 de outubro de 1963, o segundo avião sofreu um acidente fatal em Belfast, causado por um mau funcionamento dos controles. Após o acidente, a aeronave foi reconstruída e voltou a voar para testes adicionais, continuaram voando até 1967. 

Durante todo o programa, uma média geral de 2,6 vôos foi realizada por  semana. Embora inúmeros erros com o estabilizador automático foram relatados durante os voos, nenhuma falha ocorreu que pusesse em perigo a aeronave ou tivesse qualquer efeito sobre o seu controle.

O SC.1 voou por mais de dez anos, durante os quais forneceu uma grande quantidade de dados que serviram para influenciar os conceitos de design posteriores, como os controles do "puffer jet" no Hawker Siddeley P.1127, avião experimental e de desenvolvimento precursor do Hawker Siddeley Harrier

O trabalho de teste de voo relacionado às técnicas e tecnologias de decolagem e pousos verticais também provou ser inestimável, ajudando ainda mais a liderança britânica neste campo. O Short SC.1 finalmente se tornou obsoleto pelo emergente Harrier que provou que não era necessário transportar mais quatro motores apenas para os propósitos de decolagem e aterrissagem. 

Características gerais:

Tripulação: 1
Comprimento: 7,77 m
Envergadura: 7,16 m
Altura: 3,25 m
Área da asa: 19,65 m 2 
Peso vazio: 2.839 kg
Peso carregado ( CTOL ): 3.650 kg
Peso carregado ( VTOL ): 3.490 kg
Motorização:
Elevador: 4 × turbojato Rolls-Royce RB108 , 9,47 kN cada
Vôo para a frente: 1 × Rolls-Royce RB108 turbojato, 9,47 kN
Velocidade máxima: 396 km / h
Autonomia: 240 km
Teto de serviço: 2.440 m

(1) O efeito de solo é o aumento de sustentação e a diminuição do arrasto aerodinâmico gerado pelas asas quando estão perto de uma superfície fixa. Ao pousar, o efeito solo pode dar ao piloto a sensação de que a aeronave está "flutuando". Ao decolar, o efeito de solo pode reduzir temporariamente a velocidade de estol (redução no coeficiente de sustentação).


Post (373) – Março de 2019

20190307

Russky Vityaz – O Grandioso Avião do Império Russo






Na imagem acima do “Grandioso Avião do Império Russo - Russky Vityaz” no aeródromo Korpusny perto de São Petersburgo em 1913.

Igor Ivanovich Sikorsky
O“ S-21 Russky Vityaz” foi o primeiro avião de transporte de passageiros do mundo com quatro motores sendo o precursor dos aviões pesados. (Vityaz – no antigo russo significava “O cavalheiro”).

Após as recusas do departamento militar para adotar um avião C-6B, este autorizou o engenheiro Igor Ivanovich Sikorsky a construir um grande avião experimental para a “Inteligência Estratégica Russa”. 

O projeto de avião foi desenvolvido contando com a realização de uma série de estudos em laboratórios de aerodinâmica, e desde a pré-produção no plano constava que seria um quadrimotor.
                                                                                   
O avião, biplano, quadrimotor, chamado inicialmente de “Grand-Báltico” foi construído na fábrica de vagões Russo-Baltic Carriage Factory (RBVZ) em Riga no inverno de 1912-1913. 

Quando ficou pronto e finalmente foi apresentado, até mesmo os especialistas em aviação da época não acreditaram na possibilidade daquele avião de grande porte com vários motores alçasse vôo, ele era como o C-6B bimotor aumentado, acrescido de mais dois motores instalados em uma linha sobre a asa inferior. O seu primeiro voo aconteceu em Maio de 1913. Em 02 de Agosto o avião estabeleceu um recorde mundial de 1 hora e 54 minutos de duração de vôo.

Na imagem acima Igor Sikorski à esquerda e seu mecânico Panasyuk.

O Avião “Vityaz Russo” superou todas as aeronaves existentes da época pelo o seu enorme tamanho, estabilidade e capacidade de carga. Possuía cabines especiais bem espaçosas para os passageiros.

O avião, considerado uma criação ousada do gênio, projetado para vôo de até 4.000 km sem escalas e alcançar a velocidade de até 100 Verstas por hora com carga total. (Um Verstá é aproximadamente igual 1,06 km).

Ele desempenhou um papel importante na história da aviação e foi o protótipo de todas as aeronaves subseqüentes pesadas da Rússia. Seu sucessor direto foi o “Ilya Moromets” (Não deixe de ver uma postagem sobre ele neste mesmo Blog).

Características principais do Vityaz:

Comprimento: 20,00 m
Envergadura asa superior: 27,00 m
Superfície das asas: 120,00 m2
Autonomia: 4.000 km
Velocidade máxima: 106 km/h
Motorização: 4 x motores do Baltisky
Peso máximo: 4.940 kg

Leia mais em: http://www.russobras.com.br/forcas/hist_avia.php

 Post (372) – Março de 2019