20161017

AC-47 "Fantasma", o pesadelo das FARC


Força Aérea da Colômbia ainda mantém em operação uma versão armada do veterano DC-3
É difícil acreditar que o mesmo avião que lançou paraquedistas nas praias da Normandia, do decisivo Dia D da Segunda Guerra Mundial, em 6 de junho de 1944, ainda continue voando de forma efetiva. A Força Aérea da Colômbia é o último operador da versão militar do Douglas DC-3  em sua versão mais endiabrada, a canhoneira voadora AC-47T.


Ainda durante a segunda guerra, o governo da Colômbia comprou dos Estados Unidos 60 aeronaves C-47 Dakota, a versão de transporte militar do DC-3, então um avião fundamental no curso do conflito. Mais de 30 anos depois, os últimos C-47 da frota colombiana, em vez de aposentados, foram modernizados e armados.

Na década de 1980, com a intensificação das insurgências guerrilheiras e o narcotráfico, as forças armadas sentiram a necessidade de um meio específico para enfrentar essas ameaças, escondidas na imensidão da Amazônia colombiana.

Nesta época, a Força Aérea dos Estados Unidos já contava com uma longa experiência em combate a forças insurgentes. Este aprendizado veio da Guerra do Vietnã, onde o conceito da canhoneira voadora ganhou fama, criado justamente a partir do DC-3, na versão AC-47 Spooky (Assustador), no combate aos vietcongs entrincheirados nas florestas.
No final dos anos 1980, a Colômbia passava por um conturbado momento combatendo as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que atuavam em locais de difícil acesso no país. A Força Aérea da Colômbia (FAC) decidiu pela compra do AC-130, mas a venda foi barrada pelos EUA. A solução foi adaptar os velhos C-47 para o combate.
O primeiro dos sete AC-47, reformados, encomendados pela FAC foi entregue em 1991. Apesar do aspecto clássico dos anos 1940, era uma aeronave completamente diferente. O modelo foi modificado pela Basler Turbo, de Oshkosh, nos EUA, ao custo de US$ 5 milhões por unidade.

A começar pela estrutura, os DC-3 colombianos tiveram as fuselagens aumentadas em 88 cm e asas foram reforçadas e alongadas, o que permitiu instalar tanques de combustível maiores. Já os antigos motores radiais a pistão foram substituídos por modernos turbo-hélices Pratt & Whitney, e a cabine de comando foi reconstruída com equipamentos avançados e equipado com radar.

Para entrar em combate, a veterana aeronave recebeu uma câmera de busca infravermelho e um conjunto de metralhadoras .50, instaladas no lado esquerdo da fuselagem.


Na FAC, os DC-3 de combate ganharam o nome “Fantasma”, em alusão ao perfil de suas missões, realizadas sempre à noite. Até o recente acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC, os AC-47 vasculhavam em silêncio as regiões mais remotas da Colômbia em busca de guerrilheiros, rastreando seus movimentos com câmeras de infravermelho e, após encontrá-los, surpreendê-los com uma chuva de balas.

O Fantasma normalmente voa com uma tripulação de sete militares – piloto, co-piloto, navegador, engenheiro de voo e três artilheiros. O DC-3 modernizado tem uma autonomia de 10 horas, além da opção de combater os inimigos, os AC-47 da Colômbia também já entraram em ação como controladores aéreos e marcadores de alvos, com flares, para ataques coordenados de outras aeronaves – o principal “parceiro” do Fantasma na FAC é o nosso Embraer Super Tucano.

A FAC ainda mantém em operação seis “Fantamas”, distribuídos em três esquadrões. Desde a modernização no início da década de 1990, o país perdeu apenas um AC-47, em janeiro de 2016, durante uma decolagem mal-sucedida, em Tres Esquinas.

Os Fantasmas da FAC são pelo menos duas vezes mais velhos que as suas tripulações, mas isso não quer dizer que sua aposentadoria esteja perto. Mesmo que a Colômbia e as FARC cheguem a um definitivo acordo de paz, a capacidade dos velhos DC-3 em vasculhar a selva pode mantê-lo no ar por muitos anos, desta vez focado na busca de traficantes de drogas.


Post (248) - Outubro de 2016