Esta é uma
pequena história de um corajoso passageiro voando pela primeira vez em um
biplano.
Primeiramente
é importante entender o que é um Biplano.
Biplano é
uma aeronave com duas superfícies de sustentação verticalmente paralelas, uma asa
sobre a outra. Foi uma configuração muito usada até os anos 40, mas caiu em
desuso gradativamente por apresentar grande arrasto aerodinâmico, impedindo que
o avião alcançasse altas velocidades, mesmo com motores potentes. Por outro
lado, o biplano possui grande manobrabilidade por possuir asas mais curtas e,
portanto, menor momento angular no sentido longitudinal.
Atualmente,
existem ainda muitos modelos de Biplanos restaurados, em museus e em mãos de
colecionadores. Alguns ainda hoje são usados com finalidades, entre outras, de
fornecer a pessoas corajosas como eu passeios inesquecíveis.
Falar sobre
o Biplano muito já se fez, mas particularmente não de sua cabine de pilotagem e
da sensação de estar senado nela, de certa forma ser muito agradável e voar nele
muito menos ainda.
O Cockpit,
o mesmo original de sua época é um local situado na parte dianteira
da fuselagem da aeronave onde os ocupantes se acomodam para pilotar
e viajar.
Ele inclui uma série interminável de instrumentos necessários para o vôo – para nós
leigos são complicados – tais como o velocímetro, o horizonte artificial, o
altímetro e os pedais, as manetes de mistura para controle do motor, botões,
alavancas e muito mais. Além do manche que aparentemente brota do piso e os
cabos dos comandos traseiros passando pelo assoalho.
Dependendo
do seu modelo, uma cabine de pilotagem pode abrigar além do piloto, um copiloto,
navegador, observador, artilheiro e ou simplesmente um passageiro. Assim era a
maioria dos antigos biplanos da época da primeira Grande Guerra Mundial.
"- Como
passageiro recebo um gorro de couro com um par de óculos acoplados que remontam
ao princípio do século passado. "Só faltou o cachecol", penso.
Voar,
afinal, é uma das sagradas circunstâncias em que homem e máquina, através das
nuvens, assumem uma só silhueta e eu estou prestes a viver esta aventura.
Para
entrar, piso na base da asa com cuidado, no local previamente marcado, apoio as
mãos sobre a fuselagem e mergulho para dentro do cocknpit. O banco é bem
simples, uma armação metálica com acento e encosto de lona, confortável até
certo ponto. Enquanto fixo o cinto de segurança, o piloto dá a ordem para que o
mecânico em terra acione a hélice. O ronco do motor radial é barulhento,
perece dócil e vigoroso, com a potência para necessária para levantar grama e
poeira da pequena pista de pouso e decolagem. Posiciono os óculos e sinto os
solavancos dos primeiros movimentos da máquina. Estamos partindo, deixando o
solo.
O vento no
rosto é como voar com uma motocicleta, além do som estonteante do motor que é
parte do pacote, o cheiro do combustível queimando é como em perfume bem
estranho para quem não esta acostumado.
Logo o
piloto estabiliza a aeronave uma altitude não muito elevada. Olho para cima,
para baixo e para os lados e pela primeira vez desfruto da sensação de estar voando
de verdade, livre como um pássaro totalmente diferente de como estar em um vôo
comercial.
O passeio
ganha ares indescritíveis, o clima está agradável, sinto os raios do Sol e uma
sensação do frio provocado pela altitude, um pouco de medo durante algumas
manobras, não vou negar.
A para mim
a grande aventura termina com uma aterrissagem precisa, até onde um antigo
biplano consegue, depois disto entendi o porquê de Richard Bach, escritor do
clássico Fernão Capelo Gaivota, usar a história de uma gaivota para falar
sobre liberdade."
Post (389) – Abril de 2019