20170306

Como o Harrier paira

✈ Embora a Hawker-Siddeley tenham realizado uma série de testes para obter os resultados desejados, de forma eficaz, para a família de aeronaves Harrier, os fundamentos de empuxo vectored são essencialmente muito simples. 

O vôo do Harrier é idêntico em operação a uma aeronave convencional, com a coluna de controle de costume, pedais do leme e acelerador utilizado para pilotar. A descrição a seguir é um resumo de como o Harrier difere de uma aeronave convencional.


A principal diferença entre um avião de combate Harrier e outro é o seu  motor Rolls-Royce Pegasus é um bypass-turbofan semelhante no funcionamento a outros motores desse tipo, com a característica adicional de possuir quatro bicos de exaustão rotativos através do qual o motor expele os fluxos de ar, frio e quente. 


O ar passa através do ventilador e sistema de compressor de LP (baixa pressão). Parte do ar é canalizada para o sistema HP (alta pressão) do compressor, enquanto o resto de ar torna-se uma corrente de ar frio que é canalizada para um par de bocais na parte da frente para proporcionar metade do impulso do motor.

Depois do ar passar através do sistema de compressor de HP e da câmara de combustão, a outra metade da corrente de ar quente é dirigida para dentro de um par de bocais na parte traseira do motor, e a aeronave é impulsionada para cima, decolando verticalmente. 

Estes quatro bicos podem ser rodados num arco de 98,5 graus, permitindo que o empuxo do motor seja aplicado diretamente à ré (em vôo convencional), diretamente para baixo (para vôo pairando) e ligeiramente para frente (para voando para trás).

Os bicos de exaustão são posicionados por um motor pneumático operado por ar sangrado do motor principal, tudo acionado por um sistema de controle de estabilidade que assegura que todos os bicos operam em conjunto, qualquer diferença levaria a uma perda rápida da atitude e descontrole da aeronave.

Para controlar o ângulo do bocal, o piloto dispõe de uma alavanca adicional ao lado do regulador de pressão.

Esta alavanca é utilizada para selecionar o ângulo do bocal adequado para o modo escolhido e voo, permitindo ao piloto selecionar com precisão o ângulo correto do bocal. Usando o acelerador, o piloto precisa garantir que o motor forneça potência suficiente para manter o avião no ar antes de posicionar o “bico para baixo". No entanto, essa interação entre a quantidade de empuxo e sua direção é a única grande diferença de pilotagem entre o Harrier e outras aeronaves, sendo que é necessário um cuidadoso treinamento para dominar este sistema.

Em adição aos quatro bicos do motor de vetorização, o Harrier também requer um método de controlar a sua estabilidade durante o voo pairado.

Para esta finalidade possui um sistema de bicos de controle de reação instalados na aeronave, sendo um no nariz (soprando para baixo), um em cada ponta das asas (soprando para cima e para baixo) e um na cauda (soprando baixo e para a lateral).

Esses bicos fornecem ar de alta pressão sangrado do motor e são operados pelos controles normais de vôo. Permitindo ao piloto operar as válvulas posicionadas em cada bico que direcionam os jatos de ar comprimido para fornecer o movimento desejado em inclinação, rotação ou guinada. 

O sistema é automatizado, liberando o piloto de qualquer carga de trabalho excessiva durante a transição do tipo de vôo.
O resultado final desta abordagem torna essencialmente simples o voo STOL/V.

✈ "Agora você sabe como é feito!"

Post (289) - Março de 2017

20170303

Hawker Siddeley Harrier

✈ O Hawker Siddeley Harrier, desenvolvido na década de 1960, foi o primeiro da série da aeronaves Harrier Jump Jet.

Também foi a primeira aeronave de combate de apoio e reconhecimento com decolagem vertical.  As sua características únicas e o seu design VSTOL, fez com que fosse o único de sua classe verdadeiramente bem sucedido dos muitos que surgiram naquela época. 


O Harrier é normalmente usado como um avião de ataque ao solo, embora a sua manobrabilidade também permitisse a ele se envolver efetivamente em combates contra outras aeronaves em distâncias curtas. 

O Harrier é alimentado por um único motot turbofan  montado na fuselagem.  Quatro bicos de reação pequenos também estão instalados, sendo um no nariz, um cauda e dois nas pontas das asas, com a finalidade de equilibrar a aeronave durante o voo na vertical. 

O Harrier foi desenvolvido diretamente do protótipo Hawker Siddeley Kestrel, após o cancelamento de um avião supersônico mais avançado, o Hawker Siddeley P.1154

Durante o serviço do Harrier, a RAF posicionou a maior parte de suas aeronaves na Alemanha Ocidental  para se defender contra uma potencial invasão da Europa Ocidental pelas forças do Pacto de Varsóvia. As características únicas do Harrier permitiram a RAF dispersar as suas forças longe de bases aéreas vulneráveis. 
 
O USMC usou seus Harriers principalmente para apoio aéreo, operando a partir de  navios de assalto anfíbios, e se necessário em bases operacionais avançadas.

A British Royal Air (RAF) ordenou a fabricação do Harrier GR.1 e da sua variante GR.3 no final dos anos 1960, sendo o seu primeiro vôo em 28 de dezembro de 1967.  Posteriormente a versão AV-8A foi desenvolvida especialmente para ser exportada e usada pela US Marine Corps  (USMC) dos Estados Unidos, na década de 1970.
Nesta mesma época o British Aerospace Sea Harrier  foi desenvolvido a partir do Harrier para uso pela Marinha Real  (RN) em porta aviões da classe Invencible.


O Sea Harrier e o Harrier lutaram na Guerra das Malvinas em 1982, ocasião em que a aeronave provou sua versatilidade enfrentando e ofuscando os caças muito mais rápidos da família Dassaut Mirage III  da  Força Aérea Argentina. Os RN Sea Harrier de asa fixa fornecia a defesa aérea, enquanto os RAF Harrier ficavam focados em missões de ataque ao solo e apoio ao avanço da força de terra britânica. 

A capacidade do Harrier para operar com o mínimo de instalações terrestres e pistas muito curtas permitiu que fosse usado em locais indisponíveis para outras aeronaves de asa fixa. No início de suas operações o Harrier recebeu críticas por ter uma taxa de acidentes alta e por um processo de manutenção demorada, o que foi minimizado no decorrer do tempo.


O Harrier também foi extensivamente redesenhado nas versões AV-8B-Harrier II  e British Aerospace Herrier II  pela equipe da  McDonnell Douglas e British Aerospace.



A família Harrier com os seus inovadores motores Rolls-Royce Pegassus  com bicos de empuxo vetorizados têm a longo deste tempo servido de inspiração no desenvolvimento de aeronaves VSTOL e outras de características operacionais semelhantes, inclusive do contemporâneo soviético Yakovlev Yak-38
e o Lockheed Martin F-35 Lightning II ainda em desenvolvimento.

Características principais:

Tripulação: 1 piloto
Comprimento:  14,27 m
Envergadura:  7,70 m
Altura:  3,63 m
Peso vazio:  6.140 kg
Peso Max decolagem:  11.430 kg
Motorização: 1 × Rolls-Royce Pegasus 103 turbofan  com quatro bicos giratórios com 95,6 kN.
Velocidade máxima:  1.176 km / h ao nível do mar
Autonomia:  3.425 km
Teto de serviço:  15.600 m


Post (288) - Março de 2017