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20161125

O Tupolev TB-3, o transportador

O Tupolev TB-3 foi o primeiro bombardeiro pesado quadrimotor do mundo, implantado pela Força Aérea Soviética em 1932, sendo desde o início um avião de dupla utilidade onde uma de suas funções primordiais era a de transportar grandes cargas. 

Tupolev TB-3-4M-17F
Mesmo antes de iniciar a produção da aeronave, o seu idealizador, Grokhovsky, propôs a idéia de pendurar sob a fuselagem, uma cabine capaz de transportar 35 pára-quedistas, esta cabine que terminou sendo instalada sob a fuselagem na aeronave, quando concluída, pesava cerca de 1200 kg, o que comprometia as suas características de vôo e a capacidade de manobra.

Originalmente, devem ter sido construídas entre 1933 e 1934 cerca de 100 destas cabines, mas a produção não seguiu em frente devido aos altos custos destas adaptações.
Grokhovsky também criou uma plataforma para o transporte e queda de um blindado T-27, construídas nas fábricas de Leningrado em 1933.

Em 1935, o Tupolev TB-3 recebeu a adaptação um recipiente chamado PG-12 destinados o transporte de outros objetos e outro chamado PG-12P para itens a serem jogados de pára-quedas. A primeira versão permitiu o transporte de veículos blindados, tanques leves e peças de artilharia até 3000 kgs. Por exemplo, nela poderia caber em uma viagem a um GAZ-Um (veículo do porte de um Ford A) e um caminhão GAZ-AA (semelhante ao Ford AA).


A primeira vez que um Tupolev TB-3 transportou um blindado T-37A  foi nas grandes manobras do  distrito militar de Kiev em Setembro de 1935. Durante o transporte do blindado, a tripulação estava dentro do avião. Depois que aterrissou a equipe tomou seus lugares e o veículo estava pronto para a batalha.
Tupolev TB-3s

Embora os resultados alcançados pelo Exército Vermelho na área de transporte pesado estivessem abaixo das expectativas, esta aeronave serviu de grande experiência para futuras operações neste sentido. 

Não esqueçamos também o contexto em que eles estavam fazendo essas experiências, aviões ultrapassados, um expurgo dos intelectuais e do funcionalismo Soviético e também um parque industrial economicamente pobre. Era um período de desequilíbrio que a Rússia estava passando, mas a Segunda Guerra Mundial estava em andamento e alguma coisa tinha de ser feita....

  
Veja mais sobre o desenvolvimento e projeto desta aeronave em:

Veja mais sobre este transportador neste mesmo blog:

Post (261) - Novembro de 2016

20161116

Antonov An-225 Mriya em São Paulo

O maior avião do mundo, o Antonov An-225 Mriya, pousou pela primeira vez no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), no dia 14 de novembro de 2016. A aeronave mede 84 metros de comprimento, com 88 metros de envergadura e pesando 175 toneladas sem carga e combustível, é o único exemplar deste porte em atividade. É um avião simplesmente descomunal o maior do mundo.


O An-225 Mriya, chamado pela OTAN  de Cossack, é uma aeronave de transporte cargueira estratégica, construída pela fabrica aeronaves ucraniana Antonov Design Bureau.
Impulsionado por seis motores turbinas, o An-225 pode carregar até 250 toneladas no compartimento de cargas. Além disso, pode transportar itens na parte externa e superior da fuselagem. 
Foi construído para transportar a nave espacial Buran, sendo desenvolvido a partir o bem-sucedido Na-124. Mriya (Мрiя) significa "Sonho" em Ucraniano..

Para se ter noção de seu tamanho, ele comportaria, facilmente, mais de mil e quinhentas pessoas. Voou pela primeira vez no dia 21 de Dezembro de 1988. Só como curiosidade o seu trem de pouso possui 32 rodas.

Após o colapso da União Soviética  em 1990 e o cancelamento do Programa Espacial do Buran, o An-225 foi armazenado. Por volta do ano de 2000 foi decidido reativar o An-225. Em setembro de 2001, ele voou transportando uma carga de 253,86 toneladas a uma altitude máxima de dois quilômetros e a uma velocidade média de 763,2 Km/h. À distância percorrida foi de mil quilômetros, aproximadamente. O maior avião estava novamente em operação.

Este avião, vindo dos Estados Unidos, fez uma escala em Campinas/SP  para carregar uma peça que servira de suporte para o transformador que ele carregará em Guarulhos/ SP.

Depois disto o cargueiro seguirá para Santiago, no Chile. A concessionária não reservou um espaço especial para o público acompanhar a chegada da aeronave. Mesmo assim mais de mil pessoas combinam pelas redes sociais os melhores locais para observação do avião.
Esse avião tem uma colocação única no mundo. Ele tem uma agenda lotada, com vários meses ou até anos de antecedência para fazer esse tipo de serviço.
A primeira vez  que ele veio ao país foi em 2010 para trazer equipamentos para a Petrobras. A aterrissagem ocorreu em Guarulhos.


Pneus de reserva
Recentemente, foi anunciado pelo fabricante que um segundo avião desse porte seria finalizado. Esta aeronave estava parada desde o fim da União Soviética, que começou a ser feita e nunca foi finalizada. Agora, eles anunciaram que vão acabar o avião, o atualmente em uso já está ficando muito velho, dizem seus proprietários, é dos anos 80 e não existe substituto para ele no mundo.

- Aqui entre nós: "Vocês já tinham visto um avião que leva pneus de reserva ?
- Então... Este leva... Veja esta imagem retirada do vídeo acima que mostra claramente estes pneus, armazenados no interior da fuselagem... Coisas de russos !!"

Post (257) - Novembro de 2016

20150904

O que tem 56 rodas e voa?

O Boeing RC-1 Resource Transportador 1, foi um projeto desenvolvido em 1972 em conjunto pela Boeing e a Canadian’s Great Plains Project, criado pelo governo do primeiro-ministro canadense Pierre Trudeau para desenvolver extremo norte do país. De particular interesse na extração de petróleo, gás natural, minérios e minerais a partir do Arquipélago Ártico. A construção de oleodutos ou estradas entre as ilhas congeladas para transportar esses recursos naturais para um porto ou terminal ferroviário livre de gelo foi considerada inviável. 
Os idealizadores do projeto imaginaram uma  operação de  ida e volta de uma frota de aeronaves RC-1 com cada uma transportando 1000 toneladas de carga, tais como 8.100 barris de petróleo, em dois containers de carga destacáveis montados nas asas. O sistema seria projetado para igualar com a capacidade de fluxo de um gasoduto de 1,2 m de diâmetro com um custo equivalente. 
A carga (entenda-se o container), chegando a um porto seria então transferida para barcos ou comboios ferroviários  e transportadas para os mercados do sul.
A aeronave teria sido alimentado por 12 Pratt & Whitney JD9 turbofans para uma velocidade de cruzeiro de 770 kms/h, com uma envergadura era de 145 m, 26 m de altura, com um trem de aterrissagem composto por 56 rodas.  Cada aeronave foi orçada em $ 70 milhões de dólares americanos em 1972.
Devido à sua grande capacidade de carga transportada e dimensões a aeronave foi apelidado de "Elevador brutamontes", "Oleoduto voador" e muitos outros.
Porem em função de muitos fatores envolvendo o mercado mundial do petróleo na época, este projeto nunca saiu do papel.
Texto extraído da reportagem de Paul Wahl "O que tem 56 rodas e voa? Maior avião do mundo" -  Revista Popular Science de outubro de 1972.
O RC-1 não seria bem uma aeronave de fuselagem destacável e sim um transportador de containers, o que muito se assemelha aos outros projetos dentro deste conceito - Veja outros aviões deste tipo pesquisando pela palavra chave “Bee-Plane” – neste mesmo blog

 Post (141) Setembro de 2015